Oswaldo Eustáquio
Insatisfeitos, secretários de Paranhos comparam a atual gestão com o governo Lisias Tomé

Dois secretários do governo municipal de Cascavel disseram a reportagem do Agora Paraná que a impetuosidade da chefia de gabinete de Paranhos pode esvaziar o governo. Ao menos esses dois já chegaram a limpar as gavetas e contaram que tem mais dois que estão com o mesmo pensamento. A saída de um deles já foi adiantada pelo blog do Luizinho Nardelli, da Catve. Uma importante médica da Secretaria disse que não aguenta mais a pressão do Paço.  A insatisfação desses quatro secretários que avaliam deixar o governo, somado a exoneração de Lange, Berté e Dillenburg trazem o governo uma crise política sem igual. Uma força tarefa está sendo realizada para manter os secretários insatisfeitos. Para que isso aconteça é necessário que haja habilidade política e reconhecimento com aqueles que venceram a eleição com o prefeito. A principal queixa é que Paranhos tem dado mais espaço para os inimigos do que para os aliados. 

Há vagas

O esvaziamento do governo em meio a crise iniciada pela investigação do Ministério Público; no caso do Morumbi e as vésperas da articulação de um CPI, fazem os secretários e vereadores lembrarem do governo Lisias Tomé. A recusa de Lauri Silva para assumir a chefia de gabinete de Paranhos remete a esse tempo.

Dessa forma. Mandem os currículos, pois há vagas para secretários. 

Vereador vai pedir abertura de CPI do Eco Park nesta quarta

O vereador Serginho Ribeiro (PPL) tem reunião agendada para esta quarta-feira (14) com o presidente da Câmara de Vereadores de Cascavel, Gugu Bueno para tratar sobre a CPI DO Eco Park. Em entrevista exclusiva ao Agora Paraná, Serginho garantiu que já tem a sinalização das sete assinaturas para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito. 

O vereador disse que o dinheiro público não pode ir para o ralo  e a Câmara de Vereadores de Cascavel não ode se furtar neste caso."Nós queremos investigar a fundo os envolvidos . Queremos saber se algum diretor, engenheiro ou secretário se furtou de fiscalizar a obra.", disse. 

Segundo ele, a CPI tem força para investigar o que for preciso, inclusive para afastar da função pública aqueles que estiverm envolvidos no maior escândo de de fraude do governo Paranhos.

O Ministério Público do Paraná também abriu procedimento para investigar o caso que derrubou três secretários da prefeitura. A empresa Contersolo, responsável por um contrado do PDI/BID de R$ 16,9 milhões utilizou material inferior na construção do bueiro da Rua Europa, no bairro Morumbi. Eles utilizaram concreto, no lugar de ARMCO STACO, material licitado.

R$ 1,8 milhão

O material mais barato colocado na obra fez com que a empresa não precisasse desembolsar R$ 600 mil. Como são três bueiros, a fraude poderia chegar a R$ 1,8 milhão, se não fosse a intervenção do secretário do meio Ambiente, Juarez Berté que não assinou a autorização da troca.

Berté vai contar tudo

Mesmo servindo como um guardião do dinheiro público, a recompensa de Berté foi a exoneração pela imprensa. Ele vai depor nesta quinta-feira (15) na Câmara dos Vereadores e prometeu contar tudo. 

Vereador vai pedir abertura de CPI do Eco Park nesta quarta

O vereador Serginho Ribeiro (PPL) tem reunião agendada para esta quarta-feira (14) com o presidente da Câmara de Vereadores de Cascavel, Gugu Bueno para tratar sobre a CPI DO Eco Park. Em entrevista exclusiva ao Agora Paraná, Serginho garantiu que já tem a sinalização das sete assinaturas para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito. 

O vereador disse que o dinheiro público não pode ir para o ralo  e a Câmara de Vereadores de Cascavel não ode se furtar neste caso."Nós queremos investigar a fundo os envolvidos . Queremos saber se algum diretor, engenheiro ou secretário se furtou de fiscalizar a obra.", disse. 

Segundo ele, a CPI tem força para investigar o que for preciso, inclusive para afastar da função pública aqueles que estiverm envolvidos no maior escândo de de fraude do governo Paranhos.

O Ministério Público do Paraná também abriu procedimento para investigar o caso que derrubou três secretários da prefeitura. A empresa Contersolo, responsável por um contrado do PDI/BID de R$ 16,9 milhões utilizou material inferior na construção do bueiro da Rua Europa, no bairro Morumbi. Eles utilizaram concreto, no lugar de ARMCO STACO, material licitado.

R$ 1,8 milhão

O material mais barato colocado na obra fez com que a empresa não precisasse desembolsar R$ 600 mil. Como são três bueiros, a fraude poderia chegar a R$ 1,8 milhão, se não fosse a intervenção do secretário do meio Ambiente, Juarez Berté que não assinou a autorização da troca.

Berté vai contar tudo

Mesmo servindo como um guardião do dinheiro público, a recompensa de Berté foi a exoneração pela imprensa. Ele vai depor nesta quinta-feira (15) na Câmara dos Vereadores e prometeu contar tudo. 

“Governo Paranhos está com Hemorragia”, diz Cantini

“Governo Paranhos está com Hemorragia”, diz Cantini

O comentarista político da rádio CBN de Cascavel Valdomiro Cantini disse em seu comentário na manhã desta segunda-feira (12) que o governo Paranhos está com hemorragia. A frase foi dita porque Paranhos exonerou o secretário do Meio Ambiente Juarez Berté para que o governo não ficasse sangrando. A estratégia foi errada, segundo Cantini, que acompanha a política cascavelense há anos.

Ele comparou esta atitude de Paranhos com a demissão de um médico por Edgar Bueno quando ambos perderam a eleição para Lisias Tomé culminando em desgaste descomunal criando um caos político na cidade.

Veja o comentário na íntegra

https://www.cbncascavel.com.br/prefeito-quem-pariu-mateus-que-o-embale/

A crise política em Cascavel é uma tragédia anunciada.

A inabilidade de Diego Gomes, homem forte e braço direito de Paranhos contribuiu para que um pequeno problema se tornasse um furacão devastador. A impetuosidade natural da juventude atrapalhou o processo com o secretário Juarez Berté. Nos bastidores, vereadores insatisfeitos com o atendimento do jovem assessor, contaram ao Agora Paraná que brincadeiras infantis, ofensas gratuitas, acabam irritando a base. Um governo que trata os inimigos a pão de ló e desdém os capitães da guerra, não perduram muito tempo. 

E tornam o processo perigoso.  Diego chegou a ser afastado de governo no ano passado, para resolver processos que tornaram sua empresa inidônea junto ao poder público. Nesse período, melhorou o trato, mas depois que voltou ao governo, segundo vereadores, irritou a base novamente com deboches e difícil trato. Um deles disse a reportagem que foi o “Corcunda que fez Esparta perder a guerra”. E o respeito é uma moeda de troca. 

A crise política instaurada em Cascavel é uma tragédia anunciada. Há exatos cinco meses, quando este jornal começou a noticiar a fraude do Morumbi, tudo isso poderia ter sido estancado de forma simples e legal. Dava tempo de fabricar cinco vezes o ARMCO STACO, material licitado que chega em Cascavel em 30 dias após o faturamento do material.

Era simples. O primeiro escândalo de fraude do governo Paranhos explodiu em meio a briga de três secretários. Dois deles querem a todo custo que a fraude permaneça enterrada no bairro Morumbi, em Cascavel. Para o outro, guardar o sagrado dinheiro público custou a demissão pela imprensa. Quem apanha não esquece. Este, abriu mão de ser vice do governo e foi um dos que comandou a arrecadação da campanha vitoriosa de Paranhos.

Aqueles que lutaram lado a lado para derrubar um grupo no poder há 12 anos, hoje lutam entre si. O grupo de Edgar Bueno, não precisou levantar um dedo, a guerra foi no arraial que há pouco mais de um ano saboreava a vitória de um Silva. Isso mesmo. Paranhos é Silva. Leonaldo Paranhos da Silva. Nome simples. De gente que saiu lá de baixo e chegou a principal cadeira de Cascavel. Um homem vencedor. Inteligente. Mas todo homem inteligente, erra. E as vezes os erros são primários

Vice-prefeito de Cascavel pode ter mandato cassado por fraude em obra milionária

O vice-prefeito de Cascavel Jorge Lange, afastado da secretária de obras dois dias depois do Ministério Público começar a investigar a troca irregular de material na obra do Parque Linear do Morumbi pode ter seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores de Cascavel. 

A Comissão de Viação, Obras Públicas e Urbanismo da Câmara de Vereadores de Cascavel ouviu os dois engenheiros fiscais responsáveis pela obra. Eles confirmaram aos três vereadores que fazem parte da comissão que já haviam sido alertados pelo Tribunal de Contas do Paraná que a troca foi irregular e que sofreriam sansões pelo órgão. A troca seria possível, e dentro da Lei, caso houvesse um aditivo de supressão, mas a troca foi feita sem o aditivo, portanto, fora da Lei. O clima é tenso na cidade e os três principais secretários do governo Paranhos caíram dois dias depois do início da investigação do Ministério Público. O grupo de vereadores que apoia Paranhos na Câmara chegou a pedir a permanência do secretário Juarez Berté, que bateu o pé e não deixou que a fraude prosseguisse. 

Os engenheiros Marcos Roberto de Almeida e Ulysses Afonso Zaros confirmaram à Comissão que o vice-prefeito e ex-secretário de Obras Jorge Lange e José Fernando Dillenburg, ex-secretáro de planejamento autorizaram a troca de material, mesmo sem o aditivo. Segundo eles, a obra continou devido a um documento assinado pela SEPLAN e pela autorização verbal de Lange e Dillenburg. Diante desta confirmação que a fraude foi autorizada pelos secretários, mesmo que de forma verbal, o vice-prefeito de Cascavel, Jorge Lange pode ter que enfrentar uma CEI na Câmara de Cascavel, pois se for comprovada a autorização dos secretários, eles podem ser enquadrados no artigo 96 da Lei 8.666, que informa que a substituição de material, seja em quantidade ou qualidade diferente do contratado pode gerar multa, improbidade administrativa e prisão de três a seis anos. 

O vereador Rômulo Quintino, presidente da Comissão disse ao Agora Paraná que diante das novas informações dos engenheiros a possibilidade de algum vereador ou cidadão entrar com pedido de cassação de Lange é grande. 

A empresa Contersolo, tentou legalizar a troca com um pedido de aditivo, posterior ao serviço executado. A justificativa para troca também é fraudulenta. Documentos obtidos com exclusividade pelo Agora Paraná revelam que a empresa enviou o ofício 62425 para secretária de Obras de Cascavel solicitando a troca do material licitado, ARMCO STACO por concreto. A justificativa para troca seria o fato da empresa fabricante demorar 60 dias para entregar o material, fato que foi desmentido pelos documentos que comprovam pela proposta 56670 enviada pela ARMCO à Contersolo informando que no prazo de 30 dias o material poderia ser entregue em Cascavel. 

 

Possível Fraude em obra milionária derruba dois secretários do Governo Paranhos

A possível fraude na Obra do Parque Linear do Morumbi , que está sendo construída com recursos do BID de 16,9 milhões fez com que os dois secretários mais fortes do governo Paranhos pedissem exoneração nesta quinta-feira (8).  A utilização de material inferior e mais barato do que o contratado está sendo investigada pelo Ministério Público do Paraná.

Os secretários Jorge Lange e José Fernando Dillenburg deixaram o governo debaixo de muita pressão, dois dias depois da investigação do MPPR ter vindo a público e após o depoimento dos engenheiros fiscais da obra à Câmara de Cascavel afirmando que os secretários sabiam da troca irregular.

"Eles sabiam", disseram os fiscais sobre Lange e Dillenburg

Em depoimento à Comissão de Viação, Obras Públicas e Urbanismo da Câmara de Vereadores de Cascavel, os engenheiros Ulysses Afonso Zaros e Moarcos Roberto de Almeida informaram que a troca irregular foi autorizada pelos secretários Lange e Dillenburg de forma verbal, por isso eles autorizaram a obra. A informação foi confirmada pelo presidente da Comissão, vereador Rômulo Quintino. A reportagem do Agora Paraná já havia conversado com Ulysses no ano passado enquanto ele estava de férias em Paris, França.  

A reportagem do Agora Paraná já havia mostrado com exclusividade um documento assinado pelo secretário Fernando Dillenburg autorizando a troca. Este documento foi utilizado pela própria empresa Contersolo, responsável pela obra para tentar receber os valores na justiça. No entanto, o prefeito Paranhos alega que este documento apenas serviu para tramitar o processo e não teria poder para execução

Comissão da prefeitura irá investigar o caso

O jogo de empurra está prestes a ter uma definição. Isso porque Paranhos determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar a polêmica troca de material na obra milionária do Morumbi.

"Isso ocorreu sem a autorização do prefeito. Se houve alguma irregularidade, ou se houve alguém que autorizou, a comissão vai apontar", afirmou o secretário de planejamento Edson Zorek. A Comissão vai investigar se a decisão pela troca do material realmente foi dos secretários Lange e Dillenburg.  A comissão deve ouvir os engenheiros que foram ouvidos essa semana na Câmara e já admitiram que os secretários sabiam da troca que foi feita sem aditivo.

Guardião do Dinheiro Público

O secretário do Meio Ambiente Juarez Berté foi quem colocou a boca no trombone e não deixou o processo andar. Berté chegou a alegar que não compactuaria com uma fraude e que a troca contraria de forma explícita a Lei das Licitações. Após essas declarações, o ex-secretário José Fernando Dillenburg ficou magoado com Berté e disse que vai buscar essas declarações e se seus advogados acharem prudente deve processar o secretário do Meio Ambiente.

Improbidade e prisão

O artigo 96 da Lei 8.666 reza que fraudar, em prejuízo da Fazenda Pública, licitação alterando substância, qualidade ou quantidade do material fornecido pode ser considerado ato de improbidade administrativa sob pena de multa e de três a seis anos de prisão para os envolvidos. A lei é clara e comprova que houve fraude na troca de material, resta apenas saber quem autorizou ou participou deste processo, já que que outras empresas que participaram da licitação foram seriam prejudicadas se a troca fosse permitida, sem um aditivo de supressão. A própria lei das licitações prevê a possibilidade de troca de material quando houver uma justificativa, mas a reportagem do Agora Paraná trouxe com exclusividade mostram que a empresa mentiu de forma explícita para pleitear a troca, e pior, a realizou sem autorização prévia do prefeito e da secretária do Meio Ambiente, pasta ordenadora da Obra. 

 

Sem Justificativa

A empresa Contersolo tentou ludibriar a justiça de Cascavel ajuizando um processo na justiça solicitando

Em ofício enviado pela empresa ao secretário de Obras de Cascavel, Jorge Lange, a empresa solicita a troca do material previsto para a obra, que seriam de tubos de ARMCO STACO por tubos de concreto nas Ruas Europa, Corbélia e São Roque.

A justificativa, de acordo com o documento púbico é de que o fornecedor do ARMCO STACO, levaria 60 dias para entregar o material e isso poderia atrasar as obras.No entanto, a reportagem obteve com exclusividade, a proposta 56670 da empresa ARMCO STACO para Contersolo, afirmando que em 30 dias após o pedido, o material seria entregue na cidade de Cascavel.

 Este fato prova que o argumento utilizado pela empresa para a troca de material não é verdadeiro, causando grave dano ao erário, tanto financeiro, na casa de R$ 687 mil, valores que a empresa deveria pagar pelos tubos, além do prejuízo ao cidadão, que não pode utilizar a estrutura pela demora da obra causada pela empresa.

A reportagem do Agora Paraná também entrou em contato com a empresa ARMCO STACO, que está no mercado há 100 anos no Brasil. Com exclusividade, a empresa informou que tanto no dia do envio da proposta, 24 de abril de 2017, quanto hoje, o prazo de entrega é de 30 dias, podendo entregar até antes. Dessa forma, de acordo com o contrato 073/2017, pode ser até rompido com a empresa por má fé da contratada. Existe uma cláusula que prevê o destrato nesses casos.

Lange e Dillenburg prometem processar jornalistas

A reportagem conversou com o ex-secretário de Obras Jorge Lange que disse que vai se dedicar a processar os jornalistas e todas as pessoas que repercutiram este caso. Dillenburg disse ao EPC, que também deve processar todo mundo que falar sobre o caso

Escândalo em Obra do Morumbi motivou exoneração de Lange em Cascavel
Reprodução

Dois dias após vir a tona a investigação do Ministério Público sobre possíveis irregularidades em obra de R$ 16,9 milhões no Parque Linear do Morumbi, em Cascavel, oeste do estado, o secretário de obras e vice-prefeito Jorge Lange entregou sua carta de exoneração ao prefeito Paranhos.

Lange confirmou ao Agora Paraná que as denúncias feitas pela imprensa motivaram o pedido de exoneração e o motivo principal de sua saída, um mês antes do previsto, será para processar jornalistas que falaram sobre o assunto.

Lange falou com exclusividade com a reportagem do Agora Paraná no fim da manhã desta quinta-feira (8) e admitiu que o motivo da saída foi o desgaste com a imprensa gerado pelas denúncias feitas sobre o caso envolvendo as obras do PDI/BID. 

O vice-prefeito e agora ex-secretário de obras disse que que deixou a pasta para cuidar especificamente deste assunto."Eu pedi oxoneração ontem. Eu vou cuidar agora dos jornalistas que escrevera notícias falsas. Entrar com processos criminais e de difamação contra jornalistas e todos que falaram e replicaram o assunto", disse Lange. 

"Decisão agora é do Berté", disse Lange sobre obra do Morumbi

Questionado pela reportagem sobre o seu posicionamento sobre a troca do material na obra, Lange disse que a solução técnica para utilizar concreto (ao invés do ARMCO STACO, material licitado) foi apresentada de forma legal, mas sua opinião agora fora da pasta não tem mais valor. "Cabe ao secretário Berté, da pasta ordenadora da despesa da obra tomar a decisão do que será feito", completou Lange. 

A reportagem do Agora Paraná entrou em contato com o secretário do Meio Ambiente Juarez Berté que informou que a decisão foi tomada em conjunto com o prefeito Paranhos ainda em novembro, quando determinaram à empresa Contersolo manter o material que foi licitado. Essa informação é confirmada pelo documento a seguir. 

A saída de Lange não deve o eximir de responder a um processo administrativo da prefeitura para apurar o que realmente aconteceu neste polêmico caso. Uma comissão da Câmara de Vereadores de Cascavel também investiga o caso. Inclusive os dois fiscais da obra foram ouvidos na Casa de Leis nesta semana. Eles disseram aos vereadores que a troca irregular tinha o conhecimento do então secretário de Obras Jorge Lange e do secretário José Fernando Dillenburg.

A reportagem havia revelado um documento com a assinatura de Dillenburg autorizando a obra. Este documento foi utilizado pela empresa Contersolo em ação movida contra a prefeitura de Cascavel para convencer a Vara da Fazenda Pública do município a dar uma autorização judicial para a troca. 

Empresa de pai de vereador de Cascavel faturou R$ 2,5 milhões em contratos com a prefeitura

O ex-presidente da Câmara de Cascavel, Misael Pereira de Almeida mantém contratos com a prefeitura de Cascavel para fornecer alimentos para merenda escolar e material de limpeza para secretaria de saúde em valores que ultrapassam R$ 2,5 milhões. Estes contratos são apenas referentes aos anos de 2017 e 2018.

É legal? Sim, mas para alguns juristas é apenas uma lacuna na lei que fere os princípios da impessoalidade, moralidade e isonomia nas licitações. É moral? De longe. Não, não é, ao menos para maior parte da população em Cascavel e em todo Brasil. O contrato milionário por óbvio coloca em xeque a independência dos poderes em Cascavel. Isso porque o ex-presidente da Casa de Leis de Cascavel, dono da empresa, é pai do atual vereador Misael Júnior, eleito pelo PSC com 1807 votos. O atual vereador faz parte da base do prefeito Paranhos e teve seu nome citado para ser o líder do governo, mas não avançou na tentativa de ocupar este posto.

A empresa de Misael pai é campeã em ganhar licitação em Cascavel. Já são mais de 30 pregões vencidos pela empresa. Os produtos são diversos. Vão de giz, costela, iogurte, linhaça, cenoura, beterraba e abobrinha, bola de futebol, rede de vôlei e bala de goma

A "legalidade" do  "Nepotismo das Licitações" foi discutida em um Recurso Extraordinário no STF, que julgou que contratos entre o município e parentes do prefeito, vice, vereadores e servidores comissionados do município foram proibidos pelo Recurso Extraordinário 423560, mas se tornou ilegal apenas em municípios que alteraram seus regimentos internos, como por exemplo o município de Brumadinho (MG).

Em Cascavel, de acordo com a Lei Orgânica do Município, a prática não é ilegal, mas ultrapassa de longe a questão da imoralidade despedaçando o princípio iluminista da tripartição e independência dos poderes.

Outro lado

Procurado pela reportagem, Misael pai disse que enquanto vereador nunca vendeu para o poder público e disse que não vê problema em atender a prefeitura mesmo com o filho vereador. "Ele é ele. Eu sou eu. Meu filho nunca fez parte da empresa. Além disso participo de licitações em outros municípios", disse o ex-vereador.

Ministério Público investiga fraude em obra milionária do BID em Cascavel

O Ministério Público do Paraná abriu investigação sobre possíveis atos de improbidade administrativa por negligência dos administradores públicos da prefeitura de Cascavel quanto à fiscalização da obra do Parque Linear do Morumbi, que utiliza recursos do BID na casa dos R$ 16,9 milhões. O órgão deve investigar pelo procedimento MPPR 0030.18.000200-5 também eventual enriquecimento ilícito da construtora Contersolo por empregar material diverso ao contratado na obra. A Promotoria do Patrimônio Público de Cascavel informou que já requisitou a íntegra do processo à prefeitura de Cascavel.

A fraude na obra milionária está enterrada em Cascavel e não seria possível ser descoberta, se não fosse as fotos  obtidas pela reportagem do Agora Paraná, que revelam que a empresa responsável pela obra fez os tubos de concreto, diferente do que está previsto na licitação que é um material chamado ARMCO STACO.  Caso seja comprovada a participação de agentes públicos na troca irregular do material, este fato pode ser o primeiro grande escândalo envolvendo secretários de primeiro escalão e homens de extrema confiança do governo Paranhos.

Fraude é explícita

Os atos de improbidade administrativa são explícitos. Resta apenas saber quem autorizou a empresa a utilizar material que traz prejuízo de R$ 687 mil aos cofres públicos de Cascavel.  

Com exclusividade a reportagem do Agora Paraná apresentou um documento que revelou que a autorização para utilização de material mais barato partiu do secretário José Fernando Dillenburg, que na época do possível crime contra o patrimônio estava a frente da secretaria de planejamento de Cascavel. Esta informação é confirmada pela própria empresa responsável pela obra, que ajuizou uma ação na justiça protocolando o documento assinado por Dillenburg. Caso o MP identifique que os agentes públicos estejam envolvidos na fraude, eles podem perder o cargo público, além de ficarem inelegíveis.

Justificativa falsa

A ação movida pela Contersolo contra a prefeitura de Cascavel induziu a vara da Fazenda Pública de Cascavel ao erro, pois não continham informações verdadeiras, conforme apurou a reportagem. Isso porque se utilizou a letra da lei das licitações que diz que é possível fazer alterações de material da obra, desde que haja uma justificativa pertinente, segundo o artigo 65 da Lei 8.666/93.

O que a empresa não colocou no processo e veio a tona por meio da reportagem é que a justificativa para troca do material foi falsa, conforme documentos apresentados pelo Agora Paraná.  O ofício 04/2016 enviado pela Contersolo à prefeitura de Cascavel informava que a empresa fornecedora de ARMCO STACO, material previsto na licitação, demoraria 60 dias para produzir e entregar o material e isso atrasaria a obra. No entanto, o documento apresentado pelo Agora Paraná mostra que a empresa deu prazo de 30 dias para entrega do material em Cascavel. Ou seja, a justificativa é falsa e fraudulenta. Todos estes documentos podem ser obtidos pelo Portal da Transparência do município de Cascavel. 

Multa e prisão de até seis anos

O artigo 96 da Lei 8.666/93 que dispõe sobre as licitações diz que fraudar, em prejuízo da Fazenda Pública, licitação alterando, substância, qualidade ou quantidade do material fornecido pode ser considerado ato de improbidade administrativa sob pena de multa e prisão de três a seis anos pelos responsáveis pela fraude.

Guardião do dinheiro público

O prejuízo financeiro ainda pode ser contornado. Mesmo com muita pressão do vice-prefeito de Cascavel Jorge Lange e de Dillenburg, o secretário do Meio Ambiente de Cascavel, Juarez Berté, não deixou a fraude seguir em frente. Berté não assinou o documento que consumaria o fato, mesmo assim, o material mais barato foi colocado na obra de forma irregular com anuência de Dillenburg e Lange que defendem publicamente a manutenção do material mais barato na obra. O fiscal que deferia cuidar da obra foi procurado pela reportagem, mas não quis falar sobre o assunto. O fiscal estava em Paris, França. O prefeito de Cascavel Paranhos não autorizou a troca de material. Este documento obtido pela reportagem mostra que o secretário do Meio Ambiente Juarez Berté havia se posicionado para manter o material original, documento que havia sido ocultado pela procuradoria Jurídica de Cascavel na ação da Contersolo, mas depois que veio a tona pelo Agora Paraná foi anexado ao processo nos embargos de declaração. Este documento comprova que a prefeitura já havia solicitado a manutenção do projeto licitado.