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Curitiba tem 51 coworkings para o fomento de startups a custos menores

Novos espaços de Coworking da cidade. Coletiza Coworking (Foto: Luiz Costa /SMCS)

A cultura de dividir os mesmos espaços de trabalho vem ganhando espaço em Curitiba. Os escritórios compartilhados, ou coworkings, já somam 51 endereços na cidade.

Os motivos para o crescimento são diversos, mas se destaca o conceito de formação de comunidades, trabalhos que se somam em uma mesma estrutura física. A redução de custos também é levada em consideração, principalmente para as pequenas empresas, que até então se instalavam em salas comerciais e escritórios, arcando de forma individual com a manutenção do imóvel.

A mais recente pesquisa feita pelo setor, o levantamento anual do portal coworkingbrasil.org, mostra que a grande expansão ocorre desde 2017, quando os espaços de Curitiba saltaram de 20 (2016) para 44. Nacionalmente, o salto foi de 378 locais para 810.

“De lá pra cá ouve uma estabilização no número de coworkings em Curitiba e no Brasil. Novos surgiram, alguns fecharam, mas o importante é que os empreendedores desse ramo avaliaram e focaram o melhor modelo de negócio para se manter e prosperar”, analisa Fernando Aguirre, co-fundador da portal que mede o setor desde 2012.

Além dos espaços registrados no censo nacional, mais sete foram mapeados pela equipe técnica do Instituto Municipal de Administração Pública (Imap), órgão gestor do Worktiba Barigui, primeiro coworking público municipal do Brasil inserido no censo. Inaugurado em março de 2017, o coworking criado pelo prefeito Rafael Greca requalificou um espaço, móveis e equipamentos subutilizados pela gestão pública no Parque Barigui para abrigar startups e fomentar ideias, com projetos que possam ser aplicados na melhoria da administração municipal.

“Curitiba é pioneira no Brasil ao oferecer todos os serviços de um espaço particular sem custos para os empreendedores”, ressalta Alexandre Jarschel de Oliveira, presidente do Imap, órgão gestor do espaço para a Prefeitura de Curitiba. 

Até o final do ano serão abertos mais dois Worktibas na cidade, um no bairro São Francisco e outro no Boqueirão. Somadas às empresas já instaladas no Worktiba Barigui, serão mais de 100 startups ou projetos incubados, selecionados por edital público, sem nenhum custo de utilização para os empreendedores.

Conexões

Um dos novos espaços privados abertos em 2018 surgiu da ideia dos irmãos Flávia e André Grigoletti Brotto de aliar um ambiente de trabalho a cursos de capacitação e ao desenvolvimento da criatividade. Somando experiências do mundo corporativo, reestruturaram um imóvel pertencente à família no bairro São Francisco para abrigar a Fantástica Fábrica Criativa, um coworking focado no desenvolvimento da criatividade.

“Aqui realizamos diversas atividades em conjunto com a ocupação do espaço, como cursos, palestras e conversação em inglês para o desenvolvimento e conexão dos coworkers”, comenta Flávia, sócia do espaço.

Buscando essas conexões e a redução de custos, os empreendedores Luiz Eduardo de Oliveira e Paulo Roberto Motta Filho fizeram as contas: a melhor opção para o trabalho deles, de aplicações nas bolsas de valores, seria um espaço colaborativo.

“O nosso trabalho é basicamente on-line, mas precisa ser regrado e profissional. Encontramos no coworking o ambiente propício e com o melhor custo-benefício”, comenta Luiz Eduardo, que ocupa uma sala desde a abertura do espaço em maio deste ano.

A vontade de empreender foi maior que a de clinicar para a psicóloga Graciella Doninelli. Após se formar, ela passou a estudar sobre novas relações de trabalho e atividades complementares de saúde que a levaram a criar o Soul Coworking, no bairro São Lourenço.

A casa oferece salas coletivas de trabalho, espaços para reuniões, cozinha e locais específicos para consultas psicológicas adulto e infantil e até mesmo uma piscina para atividades aquáticas profissionais.

Outro local aberto recentemente é o Coletiza, que funciona em uma antiga fábrica de chocolates da Rua Saldanha Marinho requalificada para ser a primeira community store (loja de comunidade) de Curitiba.

O conceito é inédito na cidade, mas já implementado em outros países. Integra e atende demandas da região onde está instalado com lojas fixas e temporárias, uma cafeteria e um coworking, tudo conectado em um antigo galpão.