Política

Deputado paranaense é cotado para ser o relator da Reforma da Previdência

Stephanes Júnior é economista, estudou na Alemanha e em Harvard nos Estados Unidos e carrega a herança de ser filho de ex-ministro que conhece profundamente a Previdência no Brasil

Filho do ex-ministro Reinhold Stephanes, um dos economistas mais renomados do Brasil, Reinhold Sthepanes Júnior seguiu os caminhos do pai, também é economista e chegou a estudar na Alemanha e na famosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Atualmente ocupa uma cadeira no Congresso Nacional. Discreto, assim como o pai, Stephanes Júnior é uma grande promessa de uma nova geração de políticos que podem retirar o estigma negativo da classe. Ele demonstrou isso a se posicionar a favor de um Congresso justo que trabalhe pelo Brasil e não faça barganhas por emendas ou cargos em comissão.  Não foi apenas a herança do pai que tornou o deputado um dos principais nomes que disputam a relatoria do projeto da Reforma da Previdência, mas o currículo na área que torna a fala fácil para ele quando o assunto mais importante do Brasil, a aposentadoria, precisa ser discutida com responsabilidade. Em entrevista exclusiva ao Agora Paraná/UOL, Stephanes Júnior contou um pouco sobre esse assunto tão caro e importante para a nação. Confira:

 

Agora Paraná: Como que o senhor recebe essa informação da possibilidade de já no primeiro mandato ser o relator de uma das reformas mais importantes e mais polemicas desse governo?


Stephanes Junior: Foi um prazer e uma surpresa que já de início, calouro no congresso nacional, estar cotado para assumir a relatoria dessa importante reforma. É algo que o Brasil precisa fazer, mas precisa ser feita com cuidado para corrigir erros e beneficiar as pessoas mais humildes, que são as que mais precisam. E pelo meu passado como secretário de administração e previdência do Paraná, criando a Paraná Previdência, que hoje atende os servidores do estado do Paraná sendo o maior fundo de previdência do Brasil. Sou economista, estudei em Harvard e na Alemanha, já tenho uma boa experiência na iniciativa privada então eu sei o que é a vida de um profissional fora do poder executivo. Então eu acho que minha bagagem curricular e minha experiência de trabalho que me levaram a ser cotado para ser relator, além é claro de uma questão histórica, pois meu pai (Reinhold Stephanes) em 1998 propôs a reforma da previdência que foi votada uma parte e faltou um voto para a aposentadoria ter a idade mínima no Brasil, caso tivesse sido aprovada o Brasil seria outro hoje. Pois hoje falta dinheiro para se investir em educação, saúde, infraestrutura e a reforma significaria além de justiça e de correção, pois ninguém deveria se aposentar hoje com 50 anos de idade, os juros da economia ficariam mais baixos, haveria dinheiro para empresários gerirem empregos, o dólar estaria muito mais baixo, nós teríamos mais ofertas de pessoas querendo abrir industrias e empresas no país, o que geraria mais empregos. A reforma não é só mexer na aposentadoria, mas é também gerar benefícios em outras áreas, principalmente na renda e no emprego.

Agora Paraná: Essa medida da reforma, o senhor avalia que podemos chamar ela de impopular? Porque as pessoas que estão nos ouvindo pensam: “Poxa, estou para me aposentar daqui 3 anos e agora vou ser prejudicado”. Explica isso para o povo, Deputado.

Stephanes Junior: Quem está no INSS (90% dos brasileiros) não terão basicamente nenhuma modificação, pois hoje quem está na iniciativa privada no INSS se aposenta em média aos 62 anos de idade, sendo assim a reforma praticamente não o atinge. Já no setor público teremos uma mudança maior, pois nesse setor hoje é possível se aposentar com menos de 50 anos de idade e não será mais possível de acontecer, pois você terá uma idade mínima e uma regra de transição, assim começa a se corrigir essa distorção. Temos também a questão da contribuição, porque hoje muitos brasileiros se aposentam com 30, 40 mil reais de aposentadoria e não contribuíram para isso, durante 25 anos contribuiu com 10% do seu salário e depois fica aposentado recebendo 100%, deixando uma pensão pros próximos 10 anos e quem acaba pagando é a pessoa mais humilde. O rombo anual hoje na previdência é de 300 bilhões de reais, pois antigamente as pessoas mais jovens pagavam pelas pessoas mais velhas e agora estão todos mais velhos e poucos jovens para pagar essa conta. No mundo todo, todos os países que tem esse sistema de previdência organizado, existe uma idade mínima para se aposentar, já aqui não tem, têm o chamado tempo de contribuição apenas, o que está errado. O certo seria que a pessoa quando não tem mais condições de trabalho, que a sociedade lhe faça uma poupança para lhe pagar um salário digno, e aqui do jeito que anda não sobrará mais ninguém para contribuir e pagar aos mais velhos. Então tem que se reformular o sistema por uma questão de justiça e para captarmos recursos para se trabalhar em outras áreas.

Agora Paraná: As aposentadorias dos políticos são afortunadas, como vai ficar isso nessa reforma?

Stephanes junior: Na Assembleia Legislativa do Paraná não existe aposentadoria há 20 anos, na Câmara de Vereadores também não existe, no congresso o parlamentar tem que ter 35 anos de contribuição e 65 anos de idade, aí dependendo da contribuição ele recebe um salário, mas eu acho que tem que extinguir isso para dar o exemplo a população.

Agora Paraná: A aposentadoria que você diz é nós valores que eles tem né? Pois eles também tem o direto de se aposentar com alguma coisa.

Stephanes Junior: Sim, eles contribuem sobre um salário mais alto e recebem mais. Mas eu como Deputado Federal não fiz por essa opção, eu só tenho INSS e por isso falo com muita isenção. Mas de qualquer maneira o Brasil tem que mudar, essas regalias e essa diferenças entre os brasileiros precisam acabar, se alguém quiser ter uma aposentadoria maior que contribua separado para isso de forma privada. Inclusive, lamentavelmente, o pessoal do PT e PSOL usam em seu discurso contra a reforma os mais humildes, sendo que eles que serão os mais prejudicados caso ela não aconteça. Pois hoje o mais humilde (90% da população) se aposenta com pouca coisa, a média é de 1.600 R$ sendo que a grande maioria acaba com um salário mínimo. A reforma beneficiaria eles pois são eles mesmo hoje em dia que acabam pagando para os 10% restantes, que se aposentam com salários de 20, 30, 40 mil reais; Há uma injustiça no país, quem está no serviço público se aposenta muito antes e acaba recebendo muito mais do que os que estão na iniciativa privada, a reforma vai começar a corrigir isso gradativamente. A previsão da reforma é economizar 1 trilhão de reais em 10 anos, o que não corrigirá tudo imediatamente, mas sim a longo prazo, fazendo sobrar dinheiro para investir nas áreas que o país precisa.

Agora Paraná: Um outro assunto importante, ainda sobre reformas, além dessa reforma temos também a reforma tributária. O senhor vai se posicionar como, naquilo que acredita que é correto ou pode haver uma negociação com o governo?

Stephanes Junior: Nunca, eu voto por princípios. É uma reforma polemica também, tem gente que é contra mas por princípios, por acreditar que é o melhor para o Brasil, eu também votarei a favor da Reforma Tributária independente de qualquer coisa, e acho muito errado os deputados que negociam cargos ou outras situações em troca de voto. É uma reforma estratégica para o país, uma visão estadista, que para o Brasil é muito bom.

Agora Paraná: Só por curiosidade, já que seu pai sempre foi político, quando despertou esse desejo em você de seguir na vida pública?

Stephanes Junior: Meu pai sempre foi contra eu entrar na política, mas como acompanhei ele a vida toda sempre tive vontade. Eu trabalhava numa empresa de medicina que era a AMIL, mas quando o Jaime Lerner me chamou para ser secretário de estado eu pensei: “é esse o caminho que eu quero”. Pedi demissão na empresa, fui trabalhar como secretário de estado e logo decidi ser Vereador. Mas na verdade é como todo filho que acompanha o pai, as vezes o filho tem um pai que tem uma padaria e acaba indo trabalhar com ele, seguindo no mesmo ramo, ou o pai é médico e o filho também decide ser, e por aí vai. Foi isso que aconteceu comigo, acompanhando meu pai no dia a dia, visitando as comunidades, conhecendo seu trabalho e acabei gostando, optando seguir por admiração mesmo e por servir os outros.

Agora Paraná: Qual maior legado seu pai deixou para você?

Stephanes Junior: Com certeza a seriedade e a honestidade, além é claro da competência dele.