Política

“Eu sou a voz que não foi silenciada”, diz nova integrante da Secretaria da Igualdade Racial do governo Bolsonaro

Kanhú Kamayurá é neta do cacique Kotok, uma das principais lideranças do Parque do Xingu. Ela é uma sobrevivente do infanticídio indígena e sua história emocionou o país
Sandra Terena, secretária Nacional da Igualdade Racial da posse para Kanhú Kamayurá, primeira indígena do parque do Xingu a assumir um cargo no governo federal

Kanhú Kamayurá, de 23 anos é mais uma indígena nomeada para trabalhar no governo Bolsonaro. Ela fará parte do Departamento de Igualdade Racial da SEPPIR, órgão ligado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.

Neta do cacique Kotok, uma das principais lideranças indígenas do Parque do Xingu-MT, Kanhú tem distrofia muscular progressiva e não era aceita pelo seu povo. “Eu sou a voz que não foi silenciada”, disse.  Ela saiu de uma “maloca”, escura, onde vivia isolada, condenada a morte para a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do governo Bolsonaro, também comandaado por uma mulher indígena, Sandra Terena.

“A história de Kanhú é um exemplo de superação para todos nós. Ela saiu da aldeia, com sua primeira língua sendo ainda a indígena, estudou, se formou e agora pretende usar toda sua força para contribuir em ações com as crianças dos povos tradicionais. Este é um governo de inclusão. A Ministra Damares está trabalhando incansavelmente para fazermos desta gestão a melhor da história para os povos tradicionais”, disse a secretária Sandra Terena.  

Kanhú contou um pouco de sua história. “Meu povo acreditava que eu poderia trazer maus espíritos e eu tinha que ficar presa em uma maloca. Elas tinham essa crença por causa da minha doença. Mas eles não são maus.Eu ficava em uma câmara escura, que a gente chamava de “maloca”. Eu vivia na escuridão, onde não via luz e não tinha contato com ninguém. Eu era considerada uma maldição. Mas meus pais me amavam muito e buscavam uma solução, mas não sabiam o que fazer. As pessoas queriam logo resolver o problema. E eu era o problema. Meu povo me queria morta. Mas aconteceu uma coisa. Um dia meus pais foram na cabana e disseram que iríamos sair de lá. Eu saí da escuridão.  Eu fui trazida para Brasília para tratamento de saúde. Eu estaria morta. As crianças indígenas não são uma maldição. Eu era uma criança condenada à morte,agora eu posso falar por mim e enquanto eu tiver vida e uma voz,eu vou lutar pelas crianças, não apenas indígenas, mas de todos os povos”, disse Kanhú Kamayurá. Ela é a terceira indígena nomeada no governo Bolsonaro ao lado de Sandra Terena e General Franklimberg.