Política

Governo Bolsonaro investe no empreendedorismo em comunidades indígenas

Etnodesenvolvimento e turismo geram renda e desenvolvimento para as famílias
(Foto: Mário Vilela)

Ainda nem chegamos no fim do primeiro semestre do governo Bolsonaro e já é possível ver um novo horizonte na política indigenista do Brasil. Na prática, os povos indígenas não querem mais viver de doação de cestas básicas do governo, eles querem empreender e os resultados positivos podem ser vistos em várias aldeias do Brasil.

A riqueza das terras indígenas, de sua cultura, do artesanato, aquilo que o povo mbyá guarani chama de Nhandereko está sendo potencializado. “A maior missão da Funai é garantir que os direitos dos povos indígenas sejam respeitados. Por isso, apoiamos todos os projetos que chegam até à presidência para geração de renda. Os indígenas querem usar a riqueza das suas terras para darem melhores condições de vida para suas comunidades. Cabe à Funai dar todo o apoio necessário para que eles sejam bem sucedidos nesse processo”, disse o General Franklimberg, presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Responsável pela defesa dos direitos dos povos originários, o órgão tem buscado proteger as terras e apoiar as populações indígenas no que se refere ao desenvolvimento sustentável das comunidades que têm lutado por melhores condições de vida para seus filhos e netos. Nesse sentido, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, em seu artigo 7º, resguarda ao índio o direito de escolher o seu próprio modelo de desenvolvimento econômico. Afinal, após a publicação da Constituição Federal Brasileira, em 1988, ficou definido que os povos originários não seriam mais tutelados pelo Governo, mas teriam autonomia para usufruir de suas terras.

Por essa razão, a Fundação Nacional do Índio apoia projetos de desenvolvimento sustentável que têm gerado renda e mudado a vida de muitas comunidades. Essas atividades são desenvolvidas apenas pelos indígenas, sem a interferência do Estado ou de não-índios, alinhadas com a preservação do meio ambiente.

Nesse vídeo, temos alguns exemplos de como as comunidades indígenas têm usado as suas terras para gerar renda e preservar a cultura de seus povos.

Veja o Vídeo:

No Estado de Rondônia, Norte do Brasil, por exemplo, o café produzido pela etnia Suruí e a castanha dos Cinta Larga têm chamado a atenção do mercado nacional e internacional. O sucesso é tanto, que o café indígena ficou entre os três melhores do Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia - Concafé  — e ganhou como parceiro a empresa Três Corações, uma das melhores do Brasil. Em 2018, a produção estimada por aldeia foi de mais de mil toneladas. Para 2019, a estimativa é de que chegue a quase 2 mil toneladas, e em 2020, mais de 3 mil. Já a produção de castanha nas Terras Indígenas Sete de Setembro, Roosevelt e Parque do Aripuanã tem batido recorde de produção. A safra 2016/2017 foi de 100 toneladas, e a de 2017/2018, 250 toneladas.

No Estado da Paraíba, Nordeste do país, a carcinicultura (produção de camarão) dos indígenas Potiguara também tem chamado a atenção dos empresários brasileiros. A atividade movimenta aproximadamente 70 toneladas por ano, o que equivale a R$ 1,5 milhão para as comunidades da região.

Já no Estado do Mato Grosso, Centro-Oeste brasileiro, com uma população de mais de 2 mil indígenas, os agricultores da etnia Paresi plantaram 8,7 mil hectares de soja e 300 de arroz na safra 2018/2019. Para a safrinha deste ano, a previsão é de que sejam plantados mais 7,7 mil hectares de milho convencional, 6 mil de feijão, 1,4 de girassol e 500 de milho branco, totalizando 15,6 mil hectares. Numa área de 1 milhão de hectares, a lavoura dos Paresi corresponde a 1,7% de seu território.

Também no Mato Grosso, o arroz orgânico dos Xavante, plantado na Terra Indígena Maraiwatsede, sustenta toda uma população de cerca de mil pessoas.

Esses são apenas alguns exemplos do que os indígenas têm produzido em suas terras com o apoio da Funai. Além do Etnodesenvolvimento, a Fundação também tem apoiado as comunidades que querem divulgar seu artesanato e levar Etnoturismo para as suas aldeias, de forma sustentável e respeitando o meio ambiente.

Convergência

Na mesma esteira, a Secretária Nacional de Políticas Públicas da Igualdade Racial, Sandra Terena está desenvolvendo um projeto de empreendedorismo em parceria com o Instituto Brasil 200 com objetivo de dar cursos de capacitação, treinamento para os povos indígenas e também para as comunidades quilombolas. As fotos da reportagem são de Mário Vilela. Passe o mouse para sobre a imagem e veja a galeria de fotos.