Política

Invasão de terras em Paranaguá foi coordenada por Waldir leite, diz MP

A ocupação irregular foi decidida no bar. O presidente da Câmara de Paranaguá colocou o estado a serviço do crime da invasão, do crime ambiental e da improbidade administrativa

O presidente da Câmara de Vereadores de Paranaguá, Waldir Leite é alvo de Inquérito Civil do Ministério Público por ter comandado a ocupação irregular que ficou conhecida como “A Invasão do Leite”. Documentos obtidos com exclusividade pelo Agora Paraná revelam que Leite, de forma irregular, utilizou máquinas da prefeitura de Paranaguá para abrir a rua principal da invasão de área de terra denominada Chácara Encanto Paraíso, com 1,8 hectares, localizada na esquina da Rua Raquel Belo Fontes, no Jardim Jacarandá, em Paranaguá.

A denúncia foi feita ao MP por Luiz Roberto dos Reis, legítimo proprietário da terra. Ele contou que por diversas vezes foi ameaçado de morte por tentar impedir a invasão. E que por diversas vezes o vereador Waldir Leite foi ao local, junto com Vanderlei, seu cabo eleitoral. Reis disse que várias vezes o vereador foi a sua casa dizendo “demarque a sua área, pois eles vão invadir. Porque você não vende toda sua área”, disse Waldir Leite ao dono da terra, que contou ao Ministério Público que acredita que a invasão foi “a mando do vereador”. A reportagem do Agora Paraná vai contar essa história em uma série de quatro reportagens intrigantes, que vão trazer verdades que possivelmente serão escondidas pelo “Mecanismo” de Paranaguá.

Invasão foi acertada no Bar

Não são raras as fotos no inquérito, do vereador na invasão. Fontes ouvidas pelo Agora Paraná na região, revelam que tudo foi combinado no Bar do Vanderlei. Em uma das imagens mais emblemáticas, o atual Presidente da Câmara está tomando cerveja, ao lado das máquinas da prefeitura e da KSW que estavam abrindo a rua que permitiu e incentivou a invasão.

Waldir Leite utiliza o estado a serviço do crime

O dono da área, Seu Luiz junto com a esposa Maria e filho, assistiam sua terra ser invadida por alguém que tinha a obrigação de fiscalizar. Toda família tinha lágrimas nos olhos, mas nada podiam fazer. Waldir Leite colocara naquele momento o estado, a serviço de três crimes: a invasão, o crime ambiental e a improbidade administrativa.  

As fotos da época, revelam que Leite colocou toda a estrutura da sua empresa KSW para o desenvolvimento ilegal da ocupação. Caçambas, caminhões. Leite admite ao Ministério Público ter utilizado as máquinas. Em depoimento ao órgão, Leite admite que as máquinas que foram flagradas no local da invasão eram da empresa KSW, de propriedade legal de sua companheira, mas nega ter levado uma máquina da prefeitura para o abrir a rua da invasão.

Ele disse “que a Sra. Promotora tem que ver que tem uma outra máquina aí, que é a máquina da KSW, uma retroescavadeira, que é uma máquina leve, não é uma máquina pesada; que, então, a máquina da prefeitura é uma coincidência estar ali”.

O mecanismo de invasões irregulares se tornou um curral eleitoral da família Leite. O pai do Presidente da Câmara, José da Costa Leite, se tornou nome da principal Avenida que corta uma outra área ocupada com ajuda de seu pai, na época também vereador da cidade. O legado semelhante ao do MST de Waldir Leite é o que mantém sua votação expressiva no legislativo.