Política

Presidente da Câmara de Paranaguá, Waldir Leite, pode ter o mandato cassado por comandar invasão de terras

Leite já foi acordado pela polícia quando foi preso e por bandidos quando teve sua casa roubada. Invasão de terras pode custar o mandato do Vereador

Está cada vez mais complicada a situação do vereador e presidente da Câmara Municipal de Paranaguá, Waldir Leite. O Ministério Público do Paraná pediu a cassação dos direitos políticos do Presidente da Câmara de Vereadores de Paranaguá por comandar a invasão de terras na no Jacarandá, e Paranaguá.

A reportagem já havia revelado que Leite mandou abrir uma rua de forma irregular utilizando caminhões de sua empresa e máquinas da prefeitura. Tudo regado a cerveja, conforme imagem revelada pelo Núcleo de Jornalismo Investigativo da TVCI nesta semana. A ocupação irregular se torna mais complicada, pois trata-se de local de área de preservação ambiental.

Leite já foi acordado pela Polícia e por bandidos

Nos bastidores da Câmara o comentário é só este. A invasão do leite. Os seus colegas dizem que não é de hoje, mas a crença na impunidade ficou um pouco abalada depois do início da série de denúncias contra Leite, que já foi acordado as seis da manhã pela Polícia, quando foi preso em 2012 e também por bandidos, quando teve sua casa roubada.

O inquérito 0015668-64.2018.8.16.0129 aberto pelo MP já ouviu testemunhas e moradores próximos da região e todos confirmaram a participação e comando do vereador na operação, classificada pelo Ministério Público como improbidade administrativa.

Provas robustas

O processo com provas robustas segue agora para a Justiça. O funcionário da prefeitura Sandro Gonçalves disse que se reconhece como a pessoa de azul na fotografa mostrada; que quem está de vermelho é Waldir Leite; que a máquina que está na mesma fotografa é da prefeitura; que é uma máquina pá carregadeira; que, no dia dessa fotografa, foi fazer um serviço para o Waldir Leite, que ele que pediu; que foi lá empurrar um material para ele e como ele é vereador, ele pediu para ir lá empurrar, então foi lá com a máquina fazer o serviço para ele; que não se recorda o dia, mas era dia de semana, no horário de expediente, onze horas e pouco, por aí.

Que o Waldir Leite ligou para o declarante para fazer um serviço para ele, que era empurrar esse material; que como ele é vereador, para o declarante, ele manda também; que, então, pegou a máquina e foi lá fazer o serviço para ele, empurrou o material lá para ele; que o declarante está subordinado ao secretário municipal de obras, mas não o comunicou sobre o pedido do vereador; que a execução desse trabalho demorou uns vinte minutos; que conhece a região de vista; que não acompanhou o início da criação dessa via de circulação; que realizou outros trabalhos nessa região a pedido do Waldir Leite.

Que todas as vezes foi para empurrar esse material que ele jogava ali; que acredita que foi umas cinco vezes lá, sempre a pedido do Waldir Leite, sem a ordem dele nunca foi; que nunca reportou isso ao secretário, porque ele pedia para eles, não só ali, mas também em outros lugares, e sempre atenderam, nunca falaram nada, então …; que nunca mais fez esse tipo de trabalho; que não foi a primeira vez que o Waldir Leite solicitou ao declarante para fazer esse tipo de trabalho na região; que outras vezes ele já fez essa solicitação para outros locais, os quais não sabe se também eram ocupações irregulares; que os pedidos eram para espalhar caliça, mas não sabe se era regular ou irregular, igual nesse caso também, era ele que pedia, eles só iam e empurravam e saíam; que todas as vezes que o declarante foi ao local, a via de circulação fotografada estava um pedaço feita.

Que essa rua estava sendo expandida pelo Waldir, porque já tinha um pedaço dela já feita; que, com a sua ação, o declarante conseguia visualizar que estava contribuindo para a expansão, no caso para abrir a rua; que umas cinco vezes o declarante foi até lá e às vezes os caminhões da empresa do Waldir Leite estavam lá e descarregavam; que até o Waldir Leite falava que ia jogar o material lá para eles empurrarem; que este ano não houve pedido nesse sentido para o declarante, pelo que se lembra, porque ficou “encostado” no ano passado e voltou agora a trabalhar; que, além do Waldir Leite, mais nenhum vereador tem o costume de fazer esse tipo de pedido para eles, mais ele mesmo que pede; que, no passado, acredita que já realizou serviço para o Waldir Leite aos sábados e domingos; que até ele pedia a máquina para trabalhar sábado e domingo às vezes; que ia o declarante, no caso, ia a patrola, mas isso já faz tempo.

Leite na mira dos Vereadores

Dona Maria do Rocio, esposa do dono da área invadida disse que chegaram a serem ameaçados verbalmente de morte; que a ameaça consista olho no olho; que no inquérito acredita que tem nome de uma das pessoas que proferiu a ameaça; que, a princípio, quando teve o início da invasão o declarante chegou a conversar com o vereador Waldir Leite, o qual lhe dizia “demarque a sua área, pois eles irão invadir” ou “porque você não vende toda sua área”; que acredita que era a mando do vereador que o povo invadiu a área; que as próprias fotos que foram tradas desde o início levaram a crer que foi o vereador quem teria pedido às pessoas para invadirem o local; que como a invasão não parava começou achar melhor apaziguar com os invasores; que toda abertura de rua teve a presença do vereador Waldir Leite; que a rua demonstrada nas fotos corta a chácara do declarante; que sem dúvida alguma tudo isso que ocorreu foi incentivado e assistido pelo vereador.

Diante da situação, vereadores já estão se mobilizando para pedir a cassação de Leite, que pode ser o segundo presidente da Câmara a ser cassado em 2019.