Política

Pressão da Bancada Evangélica por cargos contraria princípios morais da Igreja

Presidente do Núcleo de Comunhão Pastoral de Curitiba, Flávio Sauerbrown disse que a igreja não vai tolerar nenhum tipo de corrupção daqueles que se dizem representá-la.

A pressão da Bancada Evangélica por cargos no governo em troca de apoio no Congresso vai na contramão dos objetivos dos eleitores que elegeram esses parlamentares.   A mesma igreja que os elegeu já está de olho nesta tentativa de barganha que beira a chantagem e vai acompanhar quem mentiu para a igreja.

Caso o presidente Jair Bolsonaro não ceda cargos no governo para os deputados da bancada, eles ameaçam atrapalhar o presidente da República mesmo em pautas de interesse público e de interesse de suas próprias bases.  O presidente do Núcleo de Comunhão Pastoral de Curitiba, pastor Flávio SauerBrown, disse que essa pressão por cargos contraria princípios morais e éticos da igreja. “´É imprescindível que políticos que se denominam cristãos evangélicos não abram mão do padrão bíblico de ética e moral. A igreja não vai tolerar corrupção daqueles que se dizem representá-la. “, disse o pastor que também já foi presidente do Fórum Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) no Paraná.

O constrangimento se tornou maior no Congresso porque a bancada católica não levou nenhuma fatura ao planalto. O coro da construção de um novo Brasil sem o toma lá da cá, de combate a corrupção, da luta contra a ideologia de gênero, da proteção da família parece ter ficado nos palanques eleitorais.

Sóstenes mandou recado ao Presidente

Alguns parlamentares da bancada já estão mandando recados ao presidente.“Se o governo está achando que vai nos tratar com banco de talentos e segundo escalão está enganado. Não vai dar. Se quer governar só com militares, é uma escolha. Sem reforma ministerial, terá dificuldade para compor a base. Ninguém está atrás de marmita. Poder, ninguém dá, tem que arrancar”, disse o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) ao Correio Braziliense.

Segmento Evangélico foi contemplado por Bolsonaro

Diferente das lamentações da Bancada Evangélica, o segmento, determiante para eleger Bolsonaro, foi muito bem contemplado pelo presidente Jair Bolsonaro. Quatro de seus Ministros são evangélicos, além do Presidente da Funasa , Ronaldo Nogueira e diversos Secretárias Nacionais, entre elas as deputadas Rosinha da Adefal, indicada pela própria Bancada Evangélica e Tia Eron da igreja Universal do Reino de Deus.

Racha

A pressão por cargos pode causar um racha na Bancada Evangélica, já que deputados como o Pastor Eurico já declararam apoio incondicional ao presidente quando se tratar de assuntos de interesse interesse público e do povo cristão.  Esta sangria aberta pela tentativa de barganha pode influenciar inclusive na escolha do novo presidente da bancada.