Quatro Barras

Profissionais de Educação se mobilizam contra o jogo “Baleia Azul”

Foto: PMQB


 

A pedagoga e supervisora do ensino integral, Luciana Castilho, idealizou a semana de conscientização dos alunos da Escola Municipal Ernesto Milani sobre os perigos do jogo “Baleia Azul”.

Luciana contou com a ajuda de todos os professores e demais profissionais da escola. Juntos desenvolveram temas lúdicos onde abordaram o jogo e seus perigos. Ela conta que para os mais jovens (1° e 2° anos) a linguagem e orientação foi sobre não aceitar doces ou qualquer alimento de estranhos. Com os alunos maiores (3°, 4° e 5° anos) foram abordados mais o acesso à internet com segurança e supervisão dos pais. “Estamos atentos para cuidar da segurança de nossas crianças. Para nós é uma questão prioritária, não abrimos mão disso”, disse Luciana.

Passeata de conscientização

Todos os profissionais da escola estiveram envolvidos no debate sobre o tema em sala de aula durante a semana. Cerca de 173 alunos da escola tiveram orientação sobre os perigos do jogo. Uma passeata na sexta-feira (28) reuniu aproximadamente 80 alunos e serviu para conscientizar a população sobre os riscos do “jogo da morte”.

Para a pedagoga e orientadora Andrea Berlesi, a linguagem foi trabalhada para que os alunos aprendessem brincando. O pequeno Bruno David de Assis, de 11 anos, que estuda no quinto ano era um dos mais empolgados na manifestação. O cartaz que ele idealizou tem a frase “minha vida vale mais que um jogo que vai até a morte”. Bruno diz que gosta de jogar vídeo game, mas que esse jogo é sem graça, que não leva a lugar nenhum. “Um jogo que faz mal para as crianças não tem graça. Baleia Azul, tô fora”, disse o menino.

Para Júlia Costa Gomes, 8 anos, aluna do quarto ano, a manifestação é um direito das crianças. Ela faz uma analogia, “os adultos fazem manifestação para tirar a Dilma, nós fazemos contra a Baleia Azul”. O coro dos colegas ecoou pelas ruas e em frente à Prefeitura. Muitos pedestres e motoristas que passavam entraram no espírito da manifestação.

A passeata concentrou-se na Praça Raulino Alves Cordeiro, percorreu as ruas Nilo Fávaro, Catarina Knapik e Avenida Dom Pedro II, em seguida passou pela rua 25 de Janeiro até a Câmara Municipal, onde os alunos foram recebidos pelo grupo de voluntários da Chácara Maanaim. O grupo fez uma apresentação lúdica abordando o tema e os perigos do jogo.

Mobilização

Na quinta-feira (27) a secretária de Educação, Adriana Túlio, reuniu os profissionais do ensino fundamental e médio para discutir os riscos do jogo e decidir formas de abordagem do tema com os alunos. A psicóloga Arlene Carignano elencou alguns dos sintomas que devem ser observados para a precoce identificação de vulnerabilidades. Em alguns casos o isolamento, em outros a euforia dos alunos pode acender o sinal de alerta. É preciso que o professor esteja atento às mudanças bruscas de comportamento.

Arlene lembra que toda a mudança radical de comportamento precisa ser observada com atenção. “Essas mudanças radicais de humor precisam ser vistas como sintomas de que algo não está bem. Os adolescentes passam por muitas transformações e isso pode levá-los a caminhos perigosos para serem aceitos. Esse jogo mexe com esses jovens onde eles estão mais vulneráveis”, disse a psicóloga. Arlene completa dizendo que é preciso dar aos jovens opções saudáveis de desafios.