Paraná

Projetos sustentáveis geram renda e melhoram qualidade de vida

(Foto: ANPr)

Aliar crescimento econômico e sustentabilidade é uma meta no Paraná. O Governo do Estado apoia iniciativas deste tipo e investe em projetos com características socioambientais que trazem renda, preservam o meio ambiente e melhoram a vida das pessoas no campo e na cidade. São programas quem têm o compromisso com a qualidade de vida no presente e no futuro em áreas como mobilidade urbana, agronegócio e agricultura sustentável, energias limpas e renováveis e cidades sustentáveis.

Entre estes projetos está o Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCO), o único projeto público no País a orientar e capacitar os produtores, auditar e certificar a produção de alimentos orgânicos. Foram certificados 2.199 produtores paranaenses.

O programa contribuiu para que o Paraná ocupe a posição de maior produtor de orgânicos do Brasil, com produção de 130 mil toneladas de alimentos por ano, segundo o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O Governo do Estado já destinou R$ 5,5 milhões ao projeto, valor que deve somar R$ 8 milhões com a efetivação da fase três, que segue até 2018. Os recursos são do Fundo Paraná, vinculado à Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior.

O coordenador da Unidade Gestora do Fundo Paraná, Luiz Cézar Kawano, explica que o Programa de Certificação de Orgânicos favorece o pequeno produtor, que recebe assistência técnica e certificação gratuita, e a população com acesso a alimentos mais saudáveis.

PARCERIA - De acordo com ele, o programa tem intensificado o apoio à comercialização dos produtos, que é hoje um dos grandes gargalos mundiais. Um exemplo é o projeto Cesta Solidária. “Nessa parceria o consumidor garante o escoamento da produção e uma renda fixa para o pequeno produtor e, por outro lado, ele vai distribuir para esse grupo de famílias um alimento saudável semanalmente. Isso também faz com que os produtos cheguem mais baratos à população”, afirma.

Cerca de 13 grupos de pequenos produtores participam do Cesta Solidária e levam alimentos a diversos pontos de Curitiba e da Região Metropolitana. Mais de 600 famílias são beneficiadas.

Uma das participantes é a produtora e nutricionista Manoela Lorenzi, 32 anos. Ela cultiva cerca de 30 espécies de orgânicos na propriedade da família há um ano. “É uma tranquilidade saber que aquilo que estamos plantando será vendido. Além disso, esse contato direto com o consumidor possibilita atender com preço justo para a gente que cultiva o alimento e torná-lo mais acessível para quem compra”, explica Manoela.

ENERGIA LIMPA - Outra iniciativa inovadora é desenvolvida pela Copel e pretende aliar sustentabilidade e negócios na área rural. Trata-se de um projeto de aproveitamento de biogás para geração de energia a partir de resíduos animais no Oeste do Paraná.

De acordo com o engenheiro de Pesquisa e Desenvolvimento da Copel, José Roberto Lopes, como os biodigestores já são utilizados, a grande novidade deste projeto é que o biogás produzido é levado a uma central para se transformar em energia elétrica para ser vendida e retornar em forma de recursos aos produtores. “Esse modelo de negócio e todo o arranjo técnico estão sendo estudados e viabilizados neste projeto”, afirma.

O programa interliga 19 propriedades suinocultoras do município de Entre Rios do Oeste por meio de uma rede coletora de biogás com 22 quilômetros de extensão, que já tem ampliação prevista para cerca de 110 quilômetros ao final do projeto.

Lopes acrescente que o uso da biomassa residual para geração de energia evita que o gás carbônico e o metano gerados pela degradação natural dos resíduos sejam lançados na atmosfera. Apenas os rebanhos confinados são responsáveis pela emissão de 71,3 milhões de toneladas equivalentes de CO2 todos os anos.

“A principal vantagem é a questão ambiental, já que ao se produzir porcos, frangos ou gado confinado é gerada uma biomassa que precisa ser tratada, caso contrário, esse resíduo polui o lençol freático, a terra e os rios.

Ele acrescenta que o projeto prevê criar duas fontes de renda para o produtor: o biogás, que sai desse processo de decomposição por meio do biodigestor, e o resíduo que sobra desse processo, que pode ser transformado em adubo orgânico.
“A venda desse biogás e do biofertilizante vão gerar uma renda extra e tornar viável o tratamento dos resíduos, sem que o produtor tenha que colocar o preço desta etapa na carne que ele produz”, explica Lopes.

O programa de pesquisa tem uma duração de 36 meses e está na metade da execução. Apenas na região de Entre Rios poderá ser estendido para 60 pequenos agricultores.